Ouça o resumo do artigo:
Quando falamos em Saúde e Segurança no Trabalho (SST), é comum que a imagem imediata seja a de um colaborador utilizando Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) dentro de uma fábrica ou escritório. No entanto, para milhões de trabalhadores, o trânsito é parte fundamental da sua exposição diária ao risco. Afinal, a segurança não termina no portão da empresa.
Os números recentes expõem uma realidade alarmante. O Brasil registrou um recorde histórico em 2025, com 806.011 acidentes de trabalho e 3.644 óbitos. Dentro desse cenário, o cruzamento entre as vias urbanas e rodoviárias com o ambiente corporativo se divide em duas frentes críticas: aqueles que trabalham no trânsito e aqueles que arriscam a vida para chegar ao trabalho.
A ocupação que mais mata trabalhadores no Brasil não está na construção civil pesada ou na mineração, mas nas estradas: o motorista de caminhão lidera o ranking de mortalidade, acumulando 4.249 óbitos em uma década (uma média superior a uma morte por dia). O setor de transporte rodoviário de cargas respondeu por mais de 10% de todos os acidentes fatais do país no período analisado.
Além dos profissionais do volante e de motociclistas de entrega, que lidam com menor proteção e alta exposição, há o impacto gigantesco dos chamados acidentes de trajeto. Estes são os acidentes que ocorrem no percurso entre a residência e o local de trabalho (ou vice-versa). Hoje, eles representam expressivos 19,3% do total de acidentes de trabalho acumulados no país, refletindo um risco cotidiano que afeta toda e qualquer empresa.
Muitos acidentes de trânsito começam bem antes da colisão. Eles nascem no cansaço, na rotina exaustiva e na normalização do risco. Para os motoristas profissionais, a pressão por prazos de entrega e o modelo de remuneração atrelado à produtividade frequentemente induzem a jornadas excessivas e descanso inadequado.
Estudos comprovam que a fadiga pode comprometer a atenção e o tempo de reação de forma semelhante ao consumo de álcool. Se a isso somarmos fatores como a distração — dirigir usando o celular aumenta o risco de acidentes em até quatro vezes —, temos a tempestade perfeita para a ocorrência de tragédias.
Mitigar esses riscos exige que gestores e empresas assumam a responsabilidade por uma cultura de segurança mais ampla, envolvendo avaliação e gestão de riscos contínua, baseada em ferramentas como o ciclo PDCA (Planejar, Desenvolver, Checar, Ajustar). Mas como engajar as equipes?
O Movimento Maio Amarelo, criado em 2014 pelo Observatório Nacional de Segurança Viária, oferece uma excelente oportunidade para o debate. Com a cor amarela simbolizando “atenção e advertência”, a campanha busca a conscientização coletiva para a preservação de vidas.
Aqui estão algumas ações práticas que sua empresa pode adotar para refletir sobre o tema:
A mensagem central que deve permear a cultura corporativa é clara: seja revisando os prazos logísticos para evitar a fadiga de motoristas ou conscientizando o funcionário administrativo sobre seu trajeto diário, a prevenção é o único caminho. Como reforça o tema da campanha de 2026: “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”. É hora de as empresas enxergarem o trânsito como a extensão vital do seu próprio ambiente de trabalho.
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