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Navegando com Segurança: Práticas e Inovações na Construção de Embarcações

22/08/2023

Com o recente caso do submarino que chamou a atenção do mundo, a curiosidade sobre assuntos relacionados ao mar cresceu bastante. Os oceanos que cobrem a maior parte da superfície terrestre são repletos de mistérios que desafiam nossa compreensão e capacidade de exploração. De acordo com dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA, apenas 20% do fundo do mar foi mapeado, ou seja, sabemos mais da Lua e de Marte do que da Terra.

Desde tempos antigos, o mar tem intrigado os seres humanos. Apesar dos avanços tecnológicos, grande parte dos oceanos permanece inexplorada e inacessível, tornando-os um dos últimos lugares verdadeiramente fronteiriços na Terra. 

Mas não são apenas as profundezas do mar que desconhecemos. A maioria das pessoas nem imagina quais são os tipos de desafios que envolvem a construção de grandes embarcações de superfície, um empreendimento complexo que inclui uma combinação de engenharia, tecnologia avançada e conhecimento especializado. Desde os majestosos navios de cruzeiro até os imponentes porta-contêineres e os porta-aviões de alta tecnologia, a criação de enormes estruturas flutuantes apresenta uma série de reveses únicos. 

Para explorarmos um pouco os intrincados desafios enfrentados pelos engenheiros e construtores navais ao lidar com o projeto, a construção, a operação de grandes embarcações de superfície e a saúde e segurança dos envolvidos, conversamos com a Engenheira Naval Letícia Martins Bodanese, que lidera o projeto de digitalização produtiva na construção de uma embarcação de defesa em Santa Catarina.

A construção de grandes embarcações, como navios comerciais, navios de defesa, navios de cruzeiro e embarcações offshore (embarcações de abastecimento), apresenta obstáculos significativos em termos de escala, complexidade e segurança e a tecnologia tem sido uma grande aliada nesse processo.

Letícia explica que o uso de realidade aumentada e gêmeos digitais (réplica virtual) tornam o processo muito mais efetivo. Isso ajuda a otimizar o design, prever o comportamento em diferentes condições e identificar potenciais problemas.

E são muitas as etapas a serem consideradas ao abordar a construção de grandes embarcações, do planejamento a conclusão, desde a escolha de materiais e a tecnologia de soldagem, cruciais para garantir a integridade, força, durabilidade e leveza necessárias para lidar com as demandas marítimas, como sistemas avançados de propulsão, iluminação, equipamentos de navegação, sistemas de comunicação, sistemas de radar, sonares e estabilizadores.

Mas um ponto de grande interesse para nós é a segurança dos trabalhadores em todos os estágios da construção. Devido à natureza complexa e desafiadora desse tipo de projeto, os trabalhadores estão expostos a uma série de riscos, entre eles:

  • Quedas de altura: especialmente durante atividades como montagem de estruturas, pintura e manutenção.
  • Espaços confinados: a construção de grandes embarcações envolve a entrada em espaços confinados, como tanques e compartimentos estreitos. Esses espaços podem conter gases tóxicos, falta de oxigênio ou outros perigos.
  • Esmagamento e aprisionamento: manipulação de componentes pesados, uso de equipamentos de elevação e máquinas rotativas. Os trabalhadores podem ficar presos entre máquinas, partes da embarcação ou ter amputamento de membros.
  • Materiais perigosos: manipulação de materiais tóxicos, inflamáveis e químicos. 
  • Riscos elétricos: instalação de sistemas elétricos complexos. 
  • Instabilidade estrutural: a estrutura da embarcação pode estar temporariamente instável, aumentando o risco de desabamentos ou colapsos parciais.
  • Colisões e esmagamento por veículos: em estaleiros, a presença de veículos de movimentação de cargas, como guindastes e empilhadeiras, pode resultar em riscos de colisões e esmagamentos.

De acordo com Letícia, há ainda muitos estaleiros que subestimam a segurança do trabalhador, porém, no projeto que lidera, a segurança é uma meta. Por isso, diariamente, antes de iniciar o dia de trabalho, todos se reúnem para falar sobre a adoção de práticas de segurança, de forma a se tornarem cultura na empresa. O uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), treinamentos adequados, procedimentos de trabalho seguros, inspeções regulares de equipamentos e ambientes e o cumprimento de regulamentações e normas de saúde e segurança específicas para o setor fazem parte da rotina.

Nossa equipe de SST é grande. Temos inclusive vigias de espaço confinado, que trabalham especificamente circulando pela embarcação em construção para garantir que trabalhadores não estejam em risco por falta de ventilação adequada, gases tóxicos, riscos de incêndio, falta de oxigênio ou condições adversas que podem levar a acidentes graves”, explica Letícia.

Outro aspecto apontado pela engenheira é a prevenção e o combate a incêndio a bordo. O projeto deste sistema se inicia ainda na fase conceitual da embarcação, identificando as possíveis zonas de incêndio, e então a partir disso, elabora-se um plano de combate, como por exemplo, a definição da dimensão do sistema, como bombas e localização das mangueiras.

Em outro projeto, já presenciei um incêndio causado por soldagem sendo feita próxima ao armazenamento de equipamento. A caixa de madeira pegou fogo. Todo cuidado é pouco em um navio, especialmente em construção,” relata a engenheira.

Uma curiosidade que a Letícia nos traz é sobre a assinatura acústica de uma embarcação, que é seu som individual determinado por uma combinação de fatores físicos, mecânicos e estruturais. Esses fatores influenciam como a embarcação interage com o meio aquático e como o som é gerado, propagado e detectado. Muitos navios militares adotam medidas para reduzir sua assinatura acústica e, assim, minimizar sua detecção por sistemas de sonar e outras tecnologias utilizadas por potenciais adversários. Isso é especialmente importante em ambientes de combate, onde a capacidade de evitar a detecção pode ser uma vantagem estratégica.

O planejamento e a execução da construção de um projeto de embarcação de superfície, que pode envolver centenas de metros, devem ser muito rigorosos. É um processo multidisciplinar que exige conhecimento técnico, atenção aos detalhes e compromisso com a qualidade e a segurança. Nem sempre a execução da construção segue o projeto, o que pode, por exemplo, criar problemas no lançamento da embarcação em decorrência de desvios de pesos e centros, tornando o navio diferente do que seus parâmetros de projeto.

Além disso, medidas de segurança devem ser rigorosamente aplicadas para prevenir acidentes e garantir um ambiente de trabalho saudável. A implementação eficaz dessas medidas não apenas protege os trabalhadores, mas também contribui para a produtividade e qualidade do trabalho na construção de embarcações de superfície.

Você pode ler mais informações sobre o universo naval, publicadas pela Engenheira Naval Letícia Martins Bodanese, no Blog de Engenharia.

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