Com o passar dos anos o conceito de sustentabilidade se tornou indispensável para empresas de todos os portes e setores. Uma empresa sustentável é aquela que adota práticas conscientes, não só em relação ao ambiente em que está inserida, mas também em relação à sociedade e economia. Sustentabilidade envolve trabalhar de forma a minimizar os impactos negativos nas questões ambientais e sociais, ao mesmo tempo em que busca maximizar o desenvolvimento econômico e bem-estar humano. Além disso, empresas que atuam de forma sustentável se posicionam de forma positiva perante o seu público consumidor, que está se tornando mais exigente a cada dia que passa.
Uma pesquisa realizada pela Union + Webster em 2019 indicou que 87% da população brasileira prefere comprar produtos de empresas reconhecidamente sustentáveis. 70% dos entrevistados, inclusive, estão dispostos a pagar um pouco mais por isso. Em ferramentas como Google é comum encontrar pesquisas com o nome da marca seguido de “é sustentável”, “faz testes em animais”, entre outras.
Dada a importância do tema, desde 2005, a Corporate Knights, empresa de pesquisa e mídia canadense focada no que é conhecido como capitalismo limpo, realiza a pesquisa Global 100, que traz um ranking das empresas mais sustentáveis do mundo. Todos os anos o resultado dessa pesquisa é publicado na revista da Corporate Knights na mesma semana do Fórum Econômico Mundial, que acontece no início de cada ano em Davos, na Suíça.
A própria Corporate Knights considera desafiadora a tarefa de determinar quais empresas são sustentáveis, principalmente pelo fato de não haver uma definição universal de “sustentabilidade corporativa”. Por isso, adota a abordagem de desdobrar o conceito de sustentabilidade corporativa em suas partes componentes e se limita a números. A construção da sua metodologia é mais semelhante a um índice financeiro do que outros índices de sustentabilidade.
Para chegar nessa lista das Empresas mais Sustentáveis do Mundo, o Global 100 utiliza uma metodologia puramente quantitativa. São consideradas empresas com uma capitalização de mercado de pelo menos US$ 2 bilhões, em que são avaliadas considerando 12 indicadores-chaves de performance. Empresas que fazem parte da indústria do tabaco e aquelas que têm como maior parte da sua receita negócios de Defesa, como fabricação de armas, por exemplo, são automaticamente eliminadas.
Para ser elegível, a empresa precisa divulgar pelos menos 75% dos indicadores prioritários de sustentabilidade no seu setor específico. Aquelas que não o fazem são eliminadas na primeira fase da pesquisa.
Os 12 indicadores chave são divididos nas categorias abaixo:
- Produtividade de recursos: energia, emissão de CO2, água, resíduos
- Gerenciamento financeiro: percentual de impostos pagos, capacidade de inovação, porcentagem do salário do CEO x salário médio do trabalhador
- Gerenciamento de pessoas: status de fundos de aposentadoria, desempenho de índices de segurança, rotatividade de funcionários, diversidade da liderança
- Receita “limpa” (porcentagem do total da receita derivada de produtos e serviços sustentáveis). Esse foi o primeiro ano que esse critério teve tanto peso no ranking, representando 50% da pontuação.
Em 2019, o grande destaque do ranking das Top 100 foram as empresas escandinavas. A Dinamarca possui 5 empresas no ranking, incluindo a líder Chr. Hansen Holding A/S, (setor de alimentos e outros agentes químicos); a Finlândia aparece com 6 empresas, incluindo o terceiro lugar, com a empresa Neste Corporation (refinaria de petróleo). O segundo lugar ficou com a Kering AS, empresa francesa dona de marcas como Gucci, Yves Saint Laurent e Alexander McQueen.
Segundo a Forbes, a Chr. Hansen Holding A/S, que ocupa o primeiro lugar, obtém mais de 80% da sua receita desenvolvendo soluções naturais para preservar alimentos e protege plantações utilizando bactérias naturais, ao invés de pesticidas. Aproximadamente 30% do seu conselho é formado por mulheres e o salário do CEO é cerca de 24 vezes maior do que a média dos funcionários, o que é considerada uma taxa baixa para o ranking.
Já a francesa Kering SA, que aparece em segundo lugar, utilizou mais de 40% de produtos vindos de fontes sustentáveis certificadas e possui 60% de mulheres no conselho de diretores (a média das grandes corporações é em torno de 20%).
O Brasil aparece no ranking com 4 empresas no Top 100: Banco do Brasil em 8º lugar (contra 49º em 2018), Natura em 15º (14º em 2018), CEMIG em 19º (18º em 2018) e ENGIE Brasil Energia em 72º (52º em 2018).
Além de ser a única empresa brasileira a aparecer no Top 10, o Banco do Brasil foi o primeiro na lista na categoria de bancos. O resultado reforça que o banco está no caminho certo no que se refere à sustentabilidade e é uma forma de reconhecimento do investimento cada vez maior que faz no setor da Economia Verde. Segundo a WWF Brasil, que possui uma parceria de quase 10 anos com a Agência Nacional de Águas e a Fundação Banco do Brasil, no programa Água Brasil, o BB já investiu R$193 bilhões no setor de sustentabilidade.
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Veja abaixo o ranking das Top 100 Empresas mais Sustentáveis do Mundo em 2019:
- Chr. Hansen Holding A/S (Dinamarca)
- Kering SA (França)
- Neste Corporation (Finlândia)
- Orsted (Dinamarca)
- GlaxoSmithKline plc (Reino Unido)
- Prologis, Inc. (Estados Unidos)
- Umicore (Bélgica)
- Banco do Brasil S.A. (Brasil)
- Shinhan Financial Group Co. (Coreia do Sul)
- Taiwan Semiconductor (Taiwan)
- Pearson PLC (Reino Unido)
- Outotec Oyj (Finlândia)
- McCormick & Company (Estados Unidos)
- Cisco Systems, Inc. (Estados Unidos)
- Natura Cosméticos S.A. (Brasil)
- ERG S.p.A. (Itália)
- Analog Devices, Inc. (Estados Unidos)
- Novartis AG (Suíça)
- CEMIG (Brasil)
- Sanofi (França)
- Ericsson (Suécia)
- Bombardier Inc. (Canadá)
- UPM-Kymmene Oyj (Finlândia)
- BNP Paribas SA (França)
- City Developments Limited (Singapura)
- bioMerieux SA (França)
- Royal KPN NV (Holanda)
- Siemens AG (Alemanha)
- Valeo SA (França)
- LG Electronics Inc. (Coreia do sul)
- Amundi SA (França)
- Ecolab Inc. (Estados Unidos)
- CapitaLand Limited (Singapura)
- Vestas Wind Systems A/S (Dinamarca)
- ING Groep NV (Holanda)
- Electrolux AB (Suécia)
- Teck Resources Limited (Canadá)
- Dassault Systemes SA (França)
- HP Inc. (Estados Unidos)
- Comerica Incorporated (Estados Unidos)
- Sun Life Financial Inc. (Canadá)
- VERBUND AG (Áustria)
- Kone Oyj (Finlândia)
- Suncor Energy Inc. (Canadá)
- ABB Ltd. (Suíça)
- Eli Lilly and Company (Estados Unidos)
- Nordea Bank AB (Suécia)
- Autodesk, Inc. (Estados Unidos)
- Metso Oyj (Finlândia)
- AstraZeneca PLC (Reino Unido)
- KeyCorp (Estados Unidos)
- Alphabet Inc. (Estados Unidos)
- MetLife, Inc. (Estados Unidos)
- Industria de Diseno Textil (Espanha)
- Danaher Corporation (Estados Unidos)
- Halma plc (Reino Unido)
- Total SA (França)
- Novo Nordisk A/S (Dinamarca)
- PNC Financial Services (Estados Unidos)
- Schneider Electric SE (França)
- Iberdrola SA (Espanha)
- Alstom SA (França)
- Bank of America Corp (Estados Unidos)
- Nokia Oyj (Finlândia)
- Unilever PLC (Reino Unido)
- Ingersoll-Rand Plc (Estados Unidos)
- Commerzbank AG (Alemanha)
- Acciona SA (Espanha)
- Tesla Inc (Estados Unidos)
- Itron, Inc. (Estados Unidos)
- Westpac Banking Corp. (Austrália)
- ENGIE Brasil Energia S.A. (Brasil)
- Eisai Co., Ltd. (Japão)
- National Australia Bank (Austrália)
- AAK AB (Suécia)
- Lloyds Banking Group plc (Reino Unido)
- OSRAM Licht AG (Alemanha)
- Takeda Pharmaceutical Co. (Japão)
- UCB S.A. (Bélgica)
- Intesa Sanpaolo SpA (Itália)
- Workday, Inc. (Estados Unidos)
- Yokogawa Electric Corp. (Japão)
- Samsung SDI Co., Ltd (Coreia do Sul)
- adidas AG (Alemanha)
- Campbell Soup Company (Estados Unidos)
- Advantech Co., Ltd. (Taiwan)
- ANSYS, Inc. (Estados Unidos)
- Kesko Oyj (Finlândia)
- Sekisui Chemical Co., Ltd. (Japão)
- VMware, Inc. (Estados Unidos)
- Canadian Tire Corporation (Canadá)
- Kao Corp. (Japão)
- Accenture Plc (Irlanda)
- Celestica Inc. (Canadá)
- Toyota Motor Corp. (Japão)
- Konica Minolta, Inc. (Japão)
- Spectris plc (Reino Unido)
- L’Oreal SA (França)
- Bayerische Motoren Werke (Alemanha)
- Panasonic Corporation (Japão)
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* Fonte: Forbes Brasil, WWF Brasil, Corporate Knights