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O modelo de trabalho como risco estrutural: um novo desafio para a SST

12/05/2026

Ouça o resumo do artigo:

Durante muito tempo, o mundo corporativo acreditou que o maior desafio da gestão de pessoas era o engajamento. Depois, o foco mudou para a retenção de talentos. No entanto, os dados mais recentes nos mostram uma realidade muito mais profunda e preocupante: as pessoas não estão apenas tentando sair das empresas, elas estão tentando escapar da forma como o trabalho está organizado.

Uma pesquisa recente revelou um dado assustador: 83% das pessoas aceitariam ganhar menos dinheiro se isso significasse gostar mais do seu trabalho. Se a grande maioria da força de trabalho está disposta a abrir mão de renda em troca de bem-estar, o recado é claro: o problema não é o salário, é o modelo de trabalho que criamos.

A evolução das nossas prioridades

Para entendermos como chegamos até aqui, precisamos olhar para o papel do trabalho nas nossas vidas. Historicamente, o trabalho era a prioridade absoluta, o caminho fundamental para acessar conforto, sustentar a família e garantir o futuro.

Hoje, a busca mudou. O que as pessoas mais procuram não é apenas renda, mas também qualidade de vida. A grande tragédia moderna é a constatação de que lutamos tanto para conseguir um bom emprego e, quando finalmente o alcançamos, percebemos que não temos tempo ou energia para viver fora dele. A promessa de que apenas o trabalho traria qualidade de vida, ao que tudo indica, não se cumpriu; pelo contrário, tais indicadores sugerem que o trabalho e a vida entraram em rota de colisão.

No Brasil, os números refletem o tamanho dessa crise: apenas 37% dos brasileiros dizem ter uma relação saudável com o trabalho e mais da metade relata impactos diretos na sua saúde mental.

O fim do mito da “falta de resiliência”

Quando um profissional adoece ou pede demissão por esgotamento é comum que o ambiente corporativo coloque a culpa no indivíduo. Fala-se muito em “falta de resiliência” ou incapacidade de lidar com a pressão, mas é preciso mudar essa narrativa com urgência.

O adoecimento não é sobre falta de resiliência. É sobre como o trabalho está estruturado.

Ambientes marcados por pressão constante, excesso de demandas, baixa autonomia e falta de reconhecimento não afetam apenas o “clima” da empresa. Eles são geradores diretos de riscos psicossociais. E, no mundo da Saúde e Segurança do Trabalho (SST), a regra é clara: um risco que afeta a saúde, o comportamento, o desempenho e a segurança do trabalhador precisa ser gerido.

De problema de RH para risco de negócio

Será que estamos vivendo a transição de um modelo insustentável? As empresas que continuarem tratando o adoecimento mental e a exaustão apenas como uma questão de “percepção” ou frescura podem ser engolidas por altos índices de rotatividade, acidentes e baixa produtividade. Elas terão que reagir quando já for tarde demais.

Por outro lado, as organizações que trabalharem com a percepção de que o esgotamento é um risco estrutural e que precisa ser gerido de perto para não se tornar insustentável, sairão na frente. São essas empresas que vão construir os ambientes do futuro: mais seguros, verdadeiramente sustentáveis e, consequentemente, mais produtivos.

A reflexão que fica para líderes, gestores e profissionais de SST é: se esse tema ainda não entrou na sua gestão, saiba que ele já é a realidade de quem constrói a sua empresa todos os dias. É hora de pararmos de tentar consertar problemas que já aconteceram e começar a trabalhar com prevenção de verdade.

(Dados baseados no Work Relationship Index – HP, 2026).

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