Mineração enfrenta desafios em SST com auxílio da tecnologia

Tecnologia auxilia mineração em SST

O setor de mineração é um dos setores da economia brasileira que mais desperta a atenção mundial. Isso porque somos detentores de grandes reservas de minério e, consequentemente, um dos maiores exportadores do mundo. O minério de ferro é um bom exemplo de como o país se destaca no segmento: estamos entre os cinco maiores exportadores e o ferro corresponde a 93% das exportações de mineração no Brasil, segundo o Ministério de Minas e Energia.

Entretanto, dadas às características inerentes ao setor, esse é um dos segmentos que mais enfrenta problemas relacionados à Saúde e Segurança do Trabalho (SST) no Brasil. Hoje, você confere com a ERPLAN quais são os desafios do setor em SST, explicando a Norma Regulamentadora que rege o segmento, explorando os desafios e indicando os caminhos do futuro, assim:

  1. Norma Regulamentadora 22;
  2. Desafios da Mineração em SST e
  3. O futuro da mineração – Mineração 4.0.

A NR-22

A Norma Regulamentadora 22 é a responsável por disciplinar as atividades de mineração no Brasil. Como as demais NRs, esse documento tem como objetivo tornar compatíveis o planejamento e desenvolvimento das atividades mineradoras e a busca constante por mais segurança no ambiente de trabalho. A NR-22 trata das seguintes modalidades de exploração, em seu item 22.2:

  • Mineração subterrânea;
  • Mineração operada a céu aberto;
  • Garimpos;
  • Beneficiamento de minerais e
  • Pesquisa mineral.

A NR-22 determina que a empresa, permissionário de lavra garimpeira ou o responsável pela mina deve indicar aos órgãos fiscalizadores quais são os técnicos responsáveis por cada setor. As atividades descritas acima devem ter um profissional responsável legalmente habilitado na coordenação. Assim, caberá ao responsável pelas atividades de mineração a elaboração de um Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) que contemple os seguintes itens:

  • Riscos físicos, químicos e biológicos;
  • Atmosferas explosivas;
  • Deficiência de oxigênio;
  • Ventilação;
  • Proteção respiratória;
  • Investigação e análise de acidentes;
  • Ergonomia e organização do trabalho;
  • Riscos decorrentes do trabalho em altura, profundidade ou espaços confinados;
  • Riscos decorrentes da utilização de energia elétrica, máquinas, equipamentos veículos e trabalhos manuais;
  • Equipamentos de proteção individual de uso obrigatório – de acordo com a NR-06;
  • Estabilidade do maciço;
  • Plano de Emergência e
  • Resultantes de modificações e introduções de novas tecnologias.

A NR-22 também determina a obrigatoriedade de treinamentos para os trabalhadores empregados na mineração. Assim, qualificações, informações e instruções relativas à preservação da saúde e segurança devem sempre ser repassadas aos trabalhadores, assim:

  1. Treinamento introdutório geral com reconhecimento do ambiente de trabalho;
  2. Treinamento específico na função e
  3. Orientação em serviço.

Desafios da Segurança em Mineração

O tema Saúde e Segurança do Trabalho é um dos maiores desafios enfrentados pela indústria de mineração no Brasil. No quadriênio entre 2008 e 2012, o setor extrativista registrou 32,5 mil acidentes, segundo estudo da Fundacentro. Assim, é possível dizer que, infelizmente, as atividades mineradoras seguem a tendência do mercado de trabalho brasileiro quando o assunto é SST ainda em 2018. Afinal, apenas entre janeiro e março de 2018, 150 mil pessoas se acidentaram, 585 pessoas perderam as suas vidas e mais de R$ 1 bilhão foram pagos em benefícios acidentários.

Entre 2000 e 2010, o Índice Médio de Acidente Geral no Brasil foi de 8,66%. Em Minas Gerais, que se destaca como polo mundial do segmento de mineração, o Índice Médio de Acidente em mineração foi de 21,99 %. Ou seja, acidentes em minas e garimpos acontecem até três vezes mais do que os demais tipos de acidente em MG – dados da Fundacentro.

Dentre os fatores que contribuem para o aumento de riscos e perigos na atividade mineradora, destaca-se o ciclo de operações de uma mina, de uma cava de exploração, de uma pedreira ou  ainda de uma mina subterrânea. Há minas que utilizam extração mecânica a partir de perfurações e detonações e, devido ao alto risco das atividades, é preciso cumprir os protocolos a risca para evitar acidentes.

Os riscos se estendem ainda às demais etapas do processo de mineração, que podem exigir a operação de maquinário pesado como escavadeiras, carregadeiras e esteiras. Assim, qualquer desvio no processo de treinamento, capacitação, reciclagem de ensinamento, fornecimento de EPI, preparação de maquinário ou sinalização pode causar um acidente com consequências catastróficas.

Portanto, é fundamental que haja gestão de risco em pontos fundamentais do processo de mineração, tais quais:

  • Circulação segura dos trabalhadores;
  • Manutenção de equipamentos;
  • Desuso de materiais ou equipamentos danificados;
  • Possibilidade de radiação na mina e
  • Sinalização de locais perigosos.

Para além das vidas perdidas, as consequências para empresas que negligenciam o cuidado com SST em mineração são variadas. Deixar riscos e perigos sem resposta de gestão implica em processos menos eficientes, minando a capacidade competitiva de uma empresa. E, devido ao alto número de pessoas envolvidas no processo de mineração, os danos financeiros são exponencialmente aumentados.

O futuro da mineração – Mineração 4.0.

O desenvolvimento das indústrias no Brasil levou à criação de protocolos de segurança mais exigentes, abrangentes e específicos como a NR-22. Paralelamente a esse processo, entretanto, as tecnologias também se desenvolveram. E o futuro da mineração está na automação de processos que unem diversas áreas envolvidas na mineração – já se ouve inclusive o termo “Mineração 4.0”, em alusão à Indústria 4.0 – e no uso de tecnologias que antes pareciam coisa de filmes de ficção científica.

Mesmo sendo um  setor que, tradicionalmente, vê ferramentas tecnológicas como algo que foge de seu objetivo principal, a mineração vai cedendo aos poucos à necessidade de incorporar a tecnologia ao dia a dia das minas. Um exemplo do uso de novas tecnologias é na automação dos ciclos da mina. Utiliza-se veículos equipados com antenas de radiofrequência, e um sistema comandado por uma única pessoa determina quais veículos serão utilizados em cada atividade. Assim, diminui-se o tempo para desenvolvimento de cada atividade mineradora, ganhando-se eficiência.

Outro case conhecido é o uso de drones. Os famosos veículos não tripulados sobrevoavam plantas de tratamento, áreas de transporte ou abastecimento, estoque de minérios e até setores administrativos. A função dos aparelhos é promover Inspeções de Segurança em ambiente mais seguro, menos expostos a acidentes e empregando menos tempo no processo. Mais uma vez, a tecnologia leva segurança e eficiência aos processos de mineração.

Por fim, outra questão que encontra ajuda na tecnologia digital é a compilação de dado – que afeta a Gestão de Documentos e o processo de tomada de decisão como um todo, com efeito em cadeia. A digitalização de informações permite que os processos sejam gerenciados de maneira mais eficiente, com dados compartilhados e atualizados em tempo real, com possibilidade de rastreamento das informações para eventuais auditorias ou fiscalizações. E a ERPLAN pode te ajudar a lidar com essa quantidade imensa de informações com uma ferramenta: o Sistema Integrado de Controle de Operações (SICLOPE).

Uma de nossas parceiras já colhe os frutos possibilitados pela tecnologia com o SICLOPE! A ArcelorMittal Mineração Brasil utiliza os módulos “Comportamentos e Desvios”, “Inspeções e Auditorias” e “Planos e Ações” a prevenção de acidentes e gestão da área de SST e foi premiada na 20ª edição do Prêmio de Excelência da Indústria Minero-Metalúrgica BrasileiraAs ações que a levaram a ganhar o prêmio podem ser conferidas na publicação de julho de 2017 da Revista Minérios e Minerales (clique para ler o artigo completo).

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