Método de gestão 8S é um aperfeiçoamento brasileiro de modelo japonês

Photo by Headway on Unsplash
Programa 8S

O número de empresas que estão gerindo melhor seu negócio está crescendo. A taxa de mortalidade de empresas com até dois anos caiu de 45,8%, nas empresas nascidas em 2008, para 23,4%, nas empresas nascidas em 2012, segundo levantamento do SEBRAE. Dados do IBGE, divulgados no final do ano passado, apontam que a taxa de sobrevivência das empresas ativas no Brasil foi de 84,8% em 2017.

Ainda segundo pesquisa do SEBRAE, a má gestão do negócio é um dos fatores que contribui para a falência. Apenas 78% das empresas inativas estavam atualizadas com respeito às novas tecnologias do seu setor, 35% não realizou um acompanhamento rigoroso da evolução das receitas e despesas e somente 34% fez algum curso sobre gestão do negócio.

Um dos métodos mais tradicionais de gestão é o Programa 5S, ou Cinco Sensos, proposto na década de 1950 pela equipe japonesa do professor Kaoru Ishikawa, e que ajudou o Japão a se reestruturar no pós-guerra, com grande escassez de recursos materiais. Esses 5S’s se referem ao sendo de utilização (Seiri), ordenação (Seiton), limpeza (Seiso), bem estar (Seiketsu) e autodisciplina (Shitsuke). No Brasil, os 3 primeiros S’s são os mais utilizados, não refletindo em uma gestão realmente eficiente, especialmente pela cultura do país.

Como uma extensão do modelo 5S, o professor José Abrantes, dono de um longo currículo, aperfeiçoou o modelo criando o Programa 8S, tratando do combate ao desperdício, da conservação de recursos e do aumento de capital, aplicável a qualquer empresa. Para ele, em um país com pouca valorização dos seus recursos humanos e grandes estatísticas de desperdício, as empresas precisam ampliar seu olhar para uma gestão completa.

Em 2018, segundo dados do Instituto Trata Brasil, foram 6,5 bilhões de m3 de água desperdiçada, o que equivale a R$12,3 bilhões de prejuízo, além de energia elétrica, alimentos e materiais da construção civil. O Brasil é também um dos países com mais casos de acidentes de trabalho, com mais de 5,4 milhões de casos notificados desde 2012, mais de 19 mil mortes de trabalhadores com carteira assinada e mais de R$95 bilhões de gastos com afastamentos acidentários nesses oito anos, segundo o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho.

Esses são números alarmantes e que podem ser significativamente diferentes se empresas repensarem sua gestão, incluindo, por exemplo, uma plataforma digital para gerir processos das áreas de Saúde e Segurança do Trabalho, Meio Ambiente e Qualidade, como o SICLOPE – Sistema Integrado de Controle de Operações.

Em países mais desenvolvidos e competitivos, com altos índices de educação, escolaridade e treinamento profissional, há a compreensão de maneiras mais eficazes para reduzir custos, como combatendo desperdícios e valorizando seus recursos humanos. Pensando nisso e adaptando a filosofia 5S para a realidade brasileira, o professor José Abrantes trouxe o Programa 8S.

Programa 8S – Os Oito Sensos

Ordem de implantação:

1º Senso de Determinação e União (Shikari Yaro): Integração de toda empresa, motivação, liderança e comunicação. Funcionários sendo tratados com educação, respeito, justiça, equidade e com boas condições de trabalho.

2º Senso de Treinamento (Shido): Profissionais treinados se adequam melhor em novos postos e tem mais empregabilidade e eficiência. Este segundo Senso engloba o planejamento de todo o programa.

3º Senso de Utilização (Seiri): Separação de objetos, documentos, dados e serviços em duas categorias: necessários e inúteis. Os da segunda categoria devem ser descartados de forma responsável. Este Senso desperta para a enorme quantidade de coisas inúteis que são guardadas.

4º Senso de Ordenação (Seiton): Os itens necessários serão guardados para serem usados de forma rápida e segura. Serão identificados, ordenados e, após uso, recolocados no mesmo local e em boas condições.

5º Senso de Limpeza (Seiso): Ambientes agradáveis e seguros são mais motivadores. Durante a limpeza deve haver também a inspeção, para detectar problemas potenciais ou efetivos que causem desperdícios ou acidentes.

6º Senso de Bem Estar (Seiketsu): Este é resultado da implantação dos cinco Sensos anteriores. As principais ações são: limpeza e higiene das áreas comuns, boas condições de trabalho, inclusive estímulos visuais e criativos, uso de plantas e conservação de jardins, áreas recreativas, planos de assistência, plano de cargos e salários, campanhas de saúde, valorização da prevenção dos acidentes de trabalho e cuidados com o meio ambiente, liberdade de expressão, delegação de responsabilidade, plano constante de treinamento e valorização do trabalho em equipe, respeitando as individualidades.

7º Senso de Autodisciplina (Shitsuke): É quando todos respeitam tudo e todos pela compreensão do pertencimento. Procedimentos são obedecidos, porém sempre há espaço para sugestões em busca de melhoria contínua.

8º Senso de Economia e Combate aos Desperdícios (Setsuyaku): Uma vez que os Sensos anteriores são incorporados, há motivação, por parte de todos, para buscar melhorias, quase sempre de baixo ou nenhum investimento, que combatem os desperdícios, reduzem custos e aumentam a produtividade. Implementar o Programa 8S, que pode ser encarado como um método educativo, trará uma série de benefícios a empresa, como o aumento da produtividade, melhoria na qualidade dos produtos e serviços, redução de custos e do desperdício, prevenção de acidentes de trabalho e bem estar dos colaboradores e demais envolvidos.